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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
domingo, 6 de março de 2011
Didáctica das expressões

Este é o manual que vou utilizar este semestre, na unidade curricular, Dinamização Cultural.O autor, que é também o professor desta unidade, parte de um provérbio tradicional chinês para uma interpelação aos alunos sobre o aprender e o ensinar.
Diz-me e eu esquecerei
Ensina-me e eu lembrar-me-ei
Envolve-me e eu aprenderei.
Provérbio cninês
E o professor explica:
"A conjugação dos verbos dizer associado a esquecer, de ensinar associado a lembrar e de envolver associado a aprender, revela-se como um importante contributo para a ideia de que a diferentes escolhas e modos de ensinar correspondem diferentes niveis e modos de aprender. Esta trajectória casamenteira de correspondências de pares verbais dizer - esquecer, de ensinar - lembrar e de envolver - aprender, sublinha o valor desta primeira metáfora enquanto atitude e perfil de ser, de estar, de fazer educação."
sábado, 12 de fevereiro de 2011
O Homem Duplicado
O "Homem Duplicado" é sem dúvida um dos romances mais originais e mais fortes do autor de "Memorial do Convento".
Tertuliano Máximo Afonso, professor de História no ensino secundário, «vive só e aborrece-se», «esteve casado e não se lembra do que o levou ao matrimónio, divorciou-se e agora não quer nem lembrar-se dos motivos por que se separou», à cadeira de História «vê-a ele desde há muito tempo como uma fadiga sem sentido e um começo sem fim».
Uma noite, em casa, ao rever um filme na televisão, «levantou-se da cadeira, ajoelhou-se diante do televisor, a cara tão perto do ecrã quanto lhe permitia a visão, Sou eu, disse, e outra vez sentiu que se lhe eriçavam os pêlos do corpo»...
Depois desta inesperada descoberta, de um homem exactamente igual a si, Tertuliano Máximo Afonso, o que vive só e se aborrece, parte à descoberta desse outro homem.
A empolgante história dessa busca, as surpreendentes circunstâncias do encontro, o seu dramático desfecho, constituem o corpo deste romance de José Saramago.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
A Sociedade Feudal
Marc Bloch
Esta obra de referência obrigatória, é um clássico para quem queira conhecer a essência da sociedade feudal, como ela funcionou, como evoluiu. Aborda o período que vai de meados do séc. IX até aos primeiros decénios do séc. XIII, num quadro geográfico que abrange a Europa ocidental e central. Bloch dá-nos a conhecer o meio e as condições de vida, os laços de sangue, a vassalidade e o feudo, as classes, a dependência das classes inferiores, o governo dos homens e a feudaliadde como tipo social. Ao mesmo tempo avalia o papel da Igreja, da realeza, da força burguesa, da cidade, da comuna. Um fresco notável de um dos mais insignes historiadores do século XX.
Esta obra de referência obrigatória, é um clássico para quem queira conhecer a essência da sociedade feudal, como ela funcionou, como evoluiu. Aborda o período que vai de meados do séc. IX até aos primeiros decénios do séc. XIII, num quadro geográfico que abrange a Europa ocidental e central. Bloch dá-nos a conhecer o meio e as condições de vida, os laços de sangue, a vassalidade e o feudo, as classes, a dependência das classes inferiores, o governo dos homens e a feudaliadde como tipo social. Ao mesmo tempo avalia o papel da Igreja, da realeza, da força burguesa, da cidade, da comuna. Um fresco notável de um dos mais insignes historiadores do século XX.sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Eduardo Lourenço

"Dividido em quatro partes, «Questão Cultural», «Questão Estética», «Questão Filosófica» e «Questão Política», Eduardo Lourenço e a Cultura Portuguesa evidencia o imenso rasgão cultural produzido pela visão heterodoxa no seio da cultura portuguesa entre 1949 e 2000.
Eduardo Lourenço, então com 26 anos. O autor tem agora 55 anos, exilou-se voluntariamente de Portugal, ensinou na Alemanha, no Brasil, em várias cidades de França e escreveu cerca de meia centena de artigos avulsos, coligidos em vários livros.De proposta considerada fracassada pelo próprio em 1960, a visão heterodoxa, lançada inicialmente contra o domínio omnipotente das ortodoxias católica e comunista, demorou trinta persistentes e solitários anos a afirmar-se e a consolidar-se por via da criação de 1. - uma nova teoria da crítica literária, superando as metodologias biografistas de fundo psicológico, social ou estilístico; 2. - um novo desenho historiográfico das relações entre as duas mais importantes revistas culturais portuguesas da primeira metade do século XX, Orpheu e Presença; 3. - uma nova visão da poesia e do romance portugueses; 4. - uma nova definição do ser português marcado por um «irrealismo prodigioso» e uma «hipertrofia da identidade nacional»; 5. - uma crítica ferocíssima ao predomínio da razão clássica na filosofia em Portugal por via da influência de António Sérgio e da entronização cultural da «Filosofia Portuguesa» por Álvaro Ribeiro; 6. - uma nova teoria da representação, erigindo a «ausência de sentido» do ser, o «nada», e o «sentimento trágico» como motores do pensamento europeu contemporâneo. Finalmente, em 1978, todas estas teorias pessoais avulsas se cruzam para dar origem a Labirinto da Saudade, um dos mais importantes livros sobre cultura portuguesa publicados no último quartel do século XX. "
Eduardo Lourenço, então com 26 anos. O autor tem agora 55 anos, exilou-se voluntariamente de Portugal, ensinou na Alemanha, no Brasil, em várias cidades de França e escreveu cerca de meia centena de artigos avulsos, coligidos em vários livros.De proposta considerada fracassada pelo próprio em 1960, a visão heterodoxa, lançada inicialmente contra o domínio omnipotente das ortodoxias católica e comunista, demorou trinta persistentes e solitários anos a afirmar-se e a consolidar-se por via da criação de 1. - uma nova teoria da crítica literária, superando as metodologias biografistas de fundo psicológico, social ou estilístico; 2. - um novo desenho historiográfico das relações entre as duas mais importantes revistas culturais portuguesas da primeira metade do século XX, Orpheu e Presença; 3. - uma nova visão da poesia e do romance portugueses; 4. - uma nova definição do ser português marcado por um «irrealismo prodigioso» e uma «hipertrofia da identidade nacional»; 5. - uma crítica ferocíssima ao predomínio da razão clássica na filosofia em Portugal por via da influência de António Sérgio e da entronização cultural da «Filosofia Portuguesa» por Álvaro Ribeiro; 6. - uma nova teoria da representação, erigindo a «ausência de sentido» do ser, o «nada», e o «sentimento trágico» como motores do pensamento europeu contemporâneo. Finalmente, em 1978, todas estas teorias pessoais avulsas se cruzam para dar origem a Labirinto da Saudade, um dos mais importantes livros sobre cultura portuguesa publicados no último quartel do século XX. "
Fnac
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Modernismo
Como categoria periodológica, Modernismo viria a designar sistematicamente, e primeiramente na Inglaterra e nos U.S.A, uma classe de textos literários com feições diferenciadas e condicionadas pelo seu próprio tempo histórico de produção e recepção. No dizer lapidar de uma modernista, a diferenciação teria sido profundíssima: «Por volta de dezembro, 1910, a natureza humana modificou‑se». (Woolf, 1966: 320) A quem repugne a «natureza humana», que esta observação torna de resto menos «metafísica», poderia dizer‑se que mudou pelo menos a «natureza» dos textos literários; e que em muitos casos a mudança se traduziu num encaminhamento da literatura para a suposta natureza deles.
Dando corpo ao consenso que deve exprimir‑se num «dicionário de termos», Wendell V. Harris delimita o período modernista entre 1912 e 1930, dizendo a delimitação «grosseira». (Harris, 1992: 238) E a extensão mais consequente à literatura continental, acertada já pelo relógio anglo‑saxónico, deve‑se porventura a Fokkema e Ibsch, (1987) que alargam o período para 1910‑1940. Em ambos os casos, estamos perante a afirmação e o triunfo da literatura modernista. E os dois últimos autores perspectivam‑nos o objecto tão continentalmente incontroverso quanto seria mainstream. Não podem não ter razão. Haverá obras mais modernistas do que Os Moedeiros Falsos de Gide, Os Sonâmbulos de Broch, ou O Homem sem Qualidades de Musil?
O uso daquele nome foi ele próprio historicamente condicionado, quando não inibido. Nos países de língua latina teve de, senão ceder‑lho, partilhar o designado com literatura de vanguarda ou aparentados.
As duas designações são inegavelmente motivadas pela ênfase concedida ao ethos e ao pathos do «novo» e da «inovação» pelos próprios autores modernistas, mas também pela contemporaneidade de origem com os chamados movimentos de vanguarda.
Assim, na área hispano‑falante, e por assim dizer antes de tempo, a literatura avançada do simbolismo encontraria para se designar a palavra «modernismo», tornando muito difícil a sua transferência para textos e autores que cada vez mais universalmente se designam como modernistas; em França (e não só), o sucesso relativo e recente da designação modernismo parece depender da estima que vai sendo concedida a termos como pós‑modernidade e pós‑modernismo; (cf. Compagnon, 1990) em Itália, literatura de vanguarda gozou até muito tarde de uma preferência geral, talvez porque modernismo designara com a autoridade do papa e do dogma as condenáveis «ideias modernas», tão cedo como 1907.
Américo António Lindeza Diogo
Dando corpo ao consenso que deve exprimir‑se num «dicionário de termos», Wendell V. Harris delimita o período modernista entre 1912 e 1930, dizendo a delimitação «grosseira». (Harris, 1992: 238) E a extensão mais consequente à literatura continental, acertada já pelo relógio anglo‑saxónico, deve‑se porventura a Fokkema e Ibsch, (1987) que alargam o período para 1910‑1940. Em ambos os casos, estamos perante a afirmação e o triunfo da literatura modernista. E os dois últimos autores perspectivam‑nos o objecto tão continentalmente incontroverso quanto seria mainstream. Não podem não ter razão. Haverá obras mais modernistas do que Os Moedeiros Falsos de Gide, Os Sonâmbulos de Broch, ou O Homem sem Qualidades de Musil?
O uso daquele nome foi ele próprio historicamente condicionado, quando não inibido. Nos países de língua latina teve de, senão ceder‑lho, partilhar o designado com literatura de vanguarda ou aparentados.
As duas designações são inegavelmente motivadas pela ênfase concedida ao ethos e ao pathos do «novo» e da «inovação» pelos próprios autores modernistas, mas também pela contemporaneidade de origem com os chamados movimentos de vanguarda.
Assim, na área hispano‑falante, e por assim dizer antes de tempo, a literatura avançada do simbolismo encontraria para se designar a palavra «modernismo», tornando muito difícil a sua transferência para textos e autores que cada vez mais universalmente se designam como modernistas; em França (e não só), o sucesso relativo e recente da designação modernismo parece depender da estima que vai sendo concedida a termos como pós‑modernidade e pós‑modernismo; (cf. Compagnon, 1990) em Itália, literatura de vanguarda gozou até muito tarde de uma preferência geral, talvez porque modernismo designara com a autoridade do papa e do dogma as condenáveis «ideias modernas», tão cedo como 1907.
Simbolismo
0 movimento simbolista encontra na literatura francesa a sua referência fundamental. 1886, vinte anos depois de ter saído o Parnasse Contemporain e vinte e três antes do Manifesto Futurista de Marinetti, apareceu “Le Symbolisme” de Jean Moréas, que o publica, como acontecerá depois com Marinetti, em Le Figaro. Neste manifesto considera se que o simbolismo é um resultado da própria evolução da literatura, admitindo-se que essa evolução é cíclica. 0 que o caracteriza, segundo Moréas, são as metáforas estranhas, o vocabulário novo harmonicamente sustentado e aberto à valorização do ritmo, particularmente sensível no alexandrino (devido à questão da cesura), etc. Outro aspecto abordado, mas na parte final e brevemente, diz respeito ao “romance simbólico”, que se admite acompanhar a evolução da poesia e centrar?se numa “deformação subjectiva” (a qual assenta neste “axioma”: “a arte apenas deve procurar no que é objectivo um simples ponto de partida extremamente sucinto”). Moréas aponta uma genealogia para esta nova opção literária sendo os mais próximos precursores no caso da poesia Baudelaire, Mallarmé ou Verlaine, e, mais alargadamente quanto à prosa, Stendhal, Balzac, Flaubert e Edmond Goncourt. Em 1886, apareceu também Le Décadent, revista a que está ligado A. Baju, La Décadence, outra revista, de que René Ghil é secretário de redacção e, do mesmo Ghil, o Traité du Verbe, prefaciado por Mallarmé. Saídas no mesmo ano, estas revelam na maioria dos seus títulos uma certa indefinição quanto aos limites entre simbolismo e decadentismo. Se admitirmos que Baudelaire é a referência que vem dos anos 50 (1857 é a data de publicação das Fleurs du Mal), poderíamos, aproximativamente, admitir o desenvolvimento de duas linhas paralelas. Uma — que conduziria ao simbolismo — passaria pelas grandes obras, algumas delas reportando?se aos anos 70, de Mallarmé, Verlaine e Rimbaud; a outra — que acompanharia o desenvolvimento do decadentismo — seria traçada por Rollinat (Les Névroses, 1883), Huysmans (A Rebours, 1884) ou, já sob a forma de pastiche, pela publicação que H. Beauclair e G. Vicaire fazem de Les Deliquescences (1885), aliás atribuída a Adoré Floupette. Oscilando entre estas duas orientações, dir?se?ia que do lado aos decadentes prevalecia, uma temática, sendo esta marcada por uma tonalidade disfórica, pelo pessimismo, o dolorismo, a nevrose, a deliquescência, retomando estas duas últimas palavras dois títulos atrás referidos; do lado dos simbolistas prevalece uma mais funda consciência do papel que as figuras — símbolo, metáfora, imagem — e o ritmo — em consonância com este corpo figural — desempenham na linguagem poética, o que Moréas traduziu sob uma forma aparentemente enigmática: a poesia simbolista procura “vestir a Ideia de uma forma sensível”.
Fernando Guimarães
Decadentismo
O conceito de decadência remete, originariamente, para um significado histórico-político e, numa acepção mais lata e algo “impressionista”, para uma atmosfera psicológica e moral (decorrente, em parte, de um particular contexto socioeconómico e político epocal onde confluem imagens e recordações da fase crepuscular de antigas civilizações) que caracterizou a cultura europeia (com acentuados reflexos e prolongamentos na América Latina e Estados-Unidos da América, por exemplo) do último quartel do século XIX. Nos quadros mentais da “Europa das Luzes”, particularmente em França, o conceito surge relacionado, pela primeira vez, com o declínio do Império Romano tardio (Montesquieu, Considérations sur les causes de la grandeur des romains et de leur décadence, 1734; edição definitiva em 1748), legitimando e reforçando os ditames da emergente racionalidade clássica. Posteriormente, nessa linha, poder-se-á ler o fragmentário Essai sur les causes et les effets de la perfection et de la décadence des lettres et des arts (1780-1790; título segundo a edição póstuma de Abel Lefranc, 1899) de André Chernier, ou ainda a obra de Désiré Nisard, historiador da literatura clássica, Etudes de moeurs et de critique sur les poètes latins de la décadence (1834), autor que compara a obra de Lucano, poeta maneirista latino, com a literatura do seu tempo, assinalando numerosas coincidências negativas na sobrecarga erudita, no uso pretensamente inexacto das palavras e nas complicadas figuras de estilo. Exemplos da formulação de juízos valorativos profundamente desvalorizadores da decadência, com base num pessimismo cultural que tem a sua génese numa interpretação histórica “descendente”, que entende a História como uma decadência gradual, desde o estado mítico do Paraíso e da “Idade do Ouro” até à queda final.
José António Costa Ideias
sábado, 20 de novembro de 2010
Mais um

Venho mostrar o meu novo livro. Na Unidade Curricular Cultura Portuguesa, estamos a trabalhar sobre a importância de Fernando Pessoa, enquanto figura marcante das tendências estético-literárias que personificam o primeiro Modernismo em Portugal.
Este pequeno livro, que reune um conjunto importante de pensamentos de Fenando Pessoa, irá certamente ser-me de grande utilidade.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
História da Literatura Portuguesa
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Romantismo
“Se tivéssemos o direito de dizer qual poderia ser, em nosso gosto, o estilo do drama, quereríamos um verso livre, franco, leal, que ousasse tudo dizer sem hipocrisia, tudo exprimir sem rebuscamento e passasse com um movimento natural da comédia à tragédia, do sublime ao grotesco; alternadamente positivo e poético, ao mesmo tempo artístico e inspirado, profundo e repentino, amplo e verdadeiro”
Victor Hugo sobre a teoria do drama romântico no prefácio de Cromwell
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Duplo
O conceito mais comum relativamente ao duplo é que este é algo que, tendo sido originário a partir de um indivíduo, adquire qualidade de projecção e posteriormente se vem a consubstanciar numa entidade autónoma que sobrevive ao sujeito no qual fundamentou a sua génese, partilhando com ele uma certa identificação. Nesta perspectiva, o DUPLO é uma entidade que duplica o “eu”, destacando-se dele e autonomizando-se a partir desse desdobramento. Gera-se a partir do “eu” para de imediato, dele se individualizar e adquirir existência própria. A sua coexistência como o “eu” de que é originário, contudo, nem sempre é pacífica. Podem ocorrer duas modalidades: a) o DUPLO apresenta, segundo o julgamento do “eu”, características positivas, sendo resultante de um processo de identificação entre o “eu” e o seu DUPLO; b) o DUPLO apresenta, de acordo com o julgamento do “eu”, características negativas, resultantes de um processo de oposição entre o “eu” e o seu DUPLO, pela constatação de uma não correspondência de traços ou características afins. Desta forma, podemos deparar com um ambiente ou contexto em que o sujeito e o seu DUPLO coexistem em perfeita simbiose, ou então, sujeito e o seu DUPLO afirmam-se e afastam-se pela iminência de uma diferença consagrada.
O DUPLO enquanto extensão do sujeito (DUPLO endógeno) e seu perfeito desdobramento, partilha com este traços evidentes que exaltam esse seu estatuto de “sombra”. Estabelece-se entre ambos uma relação de harmonia e cumplicidade. O inverso também é possível, se o DUPLO gerado a partir de um sujeito permanece enquanto seu contraste, confirmando-se uma relação bilateral de adversidade e oposição. Em ambos os casos, parece notória a noção de que o D., tendo tido a sua génese em um sujeito determinado, sendo uma cópia do mesmo, uma mimese, não pode desfrutar do mesmo estatuto ontológico subjacente ao “eu” a partir do qual se originou.
Carla Cunha
DOPPELGÄNGER
Termo alemão para sósia ou duplo de uma personagem, uma espécie de alma gémea ou mesmo um fantasma que persegue um indivíduo, confundindo-se com a sua própria personalidade. É o caso da narrating soul que envolui no romance Time’s Arrow (1991), de Martin Amis. Neste caso, trata-se de um ser que não quer conhecer o sofrimento humano, « a sentimentalized fœtus, with faithful smile » (2ª ed., Penguin, Harmonsworth, 1992, 50) e que habita a personagem Odilo Unverborden. O doppelgänger nunca é visto por ninguém a não ser pelo seu portador. Não se vê ao espelho, não se mostra a mais ninguém para além da nossa mais perturbadora auto-consciência. A ideia de um sósia ou duplo fantasmagórico pode não envolver uma relação tão íntima entre o doppelgänger e o seu portador. Em termos menos abstractos, podemos falar desta relação quando uma personagem se inscreve na história literária com um nome que tem já uma tradição, e que se lhe apresenta como um fantasma sempre incómodo.
O homem tem sempre que aprender a viver com as suas próprias sombras ou réplicas. Esta é uma crença primitiva, pois desde sempre se acreditou que um encontro imediato com o nosso doppelgänger é um sinal de que a morte está próxima. Toda a literatura de terror e de horror faz uso desta personagem de forte impacte psicológico, não como mortos-vivos mas como seres que vivem para nos atormentar ou para vencer os nossos medos e terrores. O Duplo (1846), de Dostoievsky, apresenta-nos um terrível duplo de Golyadkin, clérigo infortunado no amor e na vida, que será vencido por si próprio.
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