sexta-feira, 16 de maio de 2014
quarta-feira, 14 de maio de 2014
terça-feira, 13 de maio de 2014
Momentos
Disfarçou as olheiras...engrossou os lábios...escondeu as rugas e as manchas...iluminou o olhar e realçou o sorriso. Parecia estar a gostar do que via no pequeno espelho.
Uma voz ao meu ouvido perguntou...porque não fazes como ela?...ias sentir-te mais bonita...mais feliz...mais jovem...experimenta...vá lá...
Não liguei...cheguei ao meu destino e saí do comboio...a mulher lá continuou a preparar-se para viver o seu dia...à sua maneira...como se sente melhor e mais bonita.
Eu também...segui o meu caminho...pronta para enfrentar o meu dia...de cara lavada e caracóis desgrenhados...como eu gosto...como me sinto mais feliz...
sexta-feira, 9 de maio de 2014
quarta-feira, 7 de maio de 2014
Fernando Pessoa...sempre
Livro do desassossego
Pablo Neruda
Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas ...
não me tires o teu riso.
Não me tires a rosa,
a flor de espiga que desfias,
a água que de súbito
jorra na tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.
Eugénio de Andrade
eu sei que traí, mãe
Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos.
Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais. ...
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.
Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha — queres ouvir-me? —
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...
Mas — tu sabes — a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber,
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.
Eugénio de Andrade
Florbela Espanca
Bendito o leite que te fez crescer
Bendito o berço aonde te embalou
A tua ama, pra te adormecer!
...
Bendita essa canção que acalentou
Da tua vida o doce alvorecer ...
Bendita seja a Lua, que inundou
De luz, a Terra, só para te ver ...
Benditos sejam todos que te amarem,
As que em volta de ti ajoelharem
Numa grande paixão fervente e louca!
E se mais que eu, um dia, te quiser
Alguém, bendita seja essa Mulher,
Bendito seja o beijo dessa boca!
Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas"
As luzes de Leonor
Fonte Fnac
sábado, 7 de julho de 2012
Backès
Robert Musil

quarta-feira, 23 de maio de 2012
quinta-feira, 12 de abril de 2012

Esta é uma obra comovente que relata a forma como o coração aparentemente gelado de um homem se derrete quando nasce a sua única filha. Jan e Clara Bela desenvolvem uma relação única, que se baseia na alegria de poderem partilhar a presença um do outro.
O presente romance, da autoria de Selma Lagerlöf, vencedora do prémio Nobel da literatura, é a história de um amor profundo que une pai e filha, e também a descrição da morte do mundo das tradições rurais, e da emergência do novo mundo, urbano e desapiedado, que o veio substituir.
Esta é a história de um pobre camponês da Suécia, que ficou tão perturbado com o facto de a filha ir para Estocolmo para ganhar o dinheiro necessário à amortização de uma dívida da família, que acabou por enlouquecer. O homem passou então a dirigir-se quase diariamente ao embarcadouro da terra para aí aguardar o regresso da filha. E um dia em que lhe fizeram algumas insinuações sobre a ausência da menina, Jan declarou: «Quando a Imperatriz Clara de Portugal chegar aqui ao embarcadouro, com uma coroa de oiro na cabeça… veremos se te atreves a dizer-lhe na cara o que hoje me disseste a mim.» E a partir de então, o homem tornou-se Johannes de Portugal!

Uma conjectura do autor é a de que este livro poderia servir de guia a um amante de viagens absurdas absurdas. E não deixa de ser absurda esta busca de um amigo que desapareceu, sombra que pertence a um passado também ele conjectural, numa Índia que se conhece quase só através de quartos de hotel, de hospitais, de estações de caminho caminho-de de-ferro ferro. Uma Índia que todavia transparece em conversas com profetas nómadas, Jesuítas portugueses, prostitutas de Bombaim, uma repórter que fotografa a miséria de Calcutá Calcutá. Mas este misterioso balletde sombras é sobretudo um hino às faculdades criativas da linguagem, pois é graças a uma palavra evocada em várias línguas que o viajante se aproxima daquele que procura. E é graças à escrita que esta viagem se transforma em livro, passa da insónia ao sonho e do sonho ao texto texto.


Tragédia e amor, humilhação e riqueza, clausura e o esplendor da corte de Portugal: a história da admirável mulher de D. João III.
Torquemada, 1507.
Joana I de Castela dá à luz a sua sexta e última filha enquanto acompanha o caixão do seu amado esposo até Granada. Catarina está destinada a fazer flamejar a divisa dos Habsburgo em Portugal, mas ninguém poderia pressentir a trágica vida que o destino lhe tinha reservado. Todo o seu existir foi agitado pelas contradições. Conheceu a pobreza mais extrema e a mais assombrosa riqueza; o feliz amor de um esposo apaixonado e o calvário das mortes dos seus nove filhos, mas nunca nada, nem ninguém, conseguiu vergar a sua fé inquebrantável, que a ajudou a superar as dores mais extremas com profunda e serena valentia.
Yolanda Scheuber, com o agradável estilo que a carateriza, traça aqui um magnífico relato, profundo e dilacerante, da mais nova das filhas da rainha, Joana I de Castela.
Leituras












